O Estado é o que possui mais eleitores do presidente Lula e lidera nacionalmente em volume absoluto de pessoas sustentadas por benefícios sociais públicos.
A expressiva disparidade entre o número de cidadãos dependentes de auxílios assistenciais e o contingente de trabalhadores inseridos no mercado formal expõe um gargalo profundo na política econômica e social do atual governo. Ao examinar a distribuição de recursos e os indicadores sociais pelo país, evidencia-se um modelo focado na expansão da transferência de renda que, desacompanhado de incentivos à produtividade e ao investimento privado, corre o risco de perpetuar a vulnerabilidade social e enfraquecer a autonomia financeira da população.
A dimensão desse desequilíbrio fica clara ao observar a proporção entre os beneficiários do Bolsa Família e os empregos com carteira assinada (CLT) em 11 estados das regiões Norte e Nordeste:
- Maranhão: 1.255.565 beneficiários do Bolsa Família para 580.556 empregos formais.
- Piauí: 641.057 beneficiários do Bolsa Família para 314.981 empregos formais.
- Amapá: 127.408 beneficiários do Bolsa Família para 76.690 empregos formais.
- Pará: 1.381.470 beneficiários do Bolsa Família para 854.892 empregos formais.
- Paraíba: 710.310 beneficiários do Bolsa Família para 449.120 empregos formais.
- Acre: 134.231 beneficiários do Bolsa Família para 92.473 empregos formais.
- Alagoas: 555.128 beneficiários do Bolsa Família para 392.648 empregos formais.
- Sergipe: 418.046 beneficiários do Bolsa Família para 297.674 empregos formais.
- Bahia: 2.646.130 beneficiários do Bolsa Família para 1.913.221 empregos formais.
- Amazonas: 638.787 beneficiários do Bolsa Família para 476.074 empregos formais.
- Pernambuco: 1.728.800 beneficiários do Bolsa Família para 1.382.409 empregos formais.
O caso da Bahia sintetiza a contradição desse modelo. O estado, reconhecido politicamente como o principal reduto eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT) após cerca de duas décadas de gestões ininterruptas do partido, lidera nacionalmente em volume absoluto de pessoas sustentadas por benefícios sociais públicos, ultrapassando a marca de 2,6 milhões de assistidos. No entanto, o expressivo volume de repasses federais não se converteu em progresso estrutural.
A Bahia amarga resultados críticos nas áreas mais básicas da administração pública. No setor de segurança pública, o estado figura recorrentemente no topo dos rankings nacionais de homicídios absolutos e taxas de violência, abrigando diversas das cidades mais violentas do país. Na educação, os índices do Ideb no ensino médio permanecem estagnados em patamares baixos, bem abaixo de estados vizinhos e da média nacional. Somam-se a isso as deficiências históricas no saneamento básico, onde parcela significativa da população segue sem acesso adequado ao tratamento de esgoto e água encanada.
A perpetuação desse cenário em redutos históricos do governo expõe o risco de transformar programas de amparo social em instrumentos permanentes de dependência. Quando a concessão de subsídios estatais supera a capacidade de geração de empregos e vem acompanhada da degradação dos serviços essenciais, o Estado falha em criar portas de saída para a pobreza, comprometendo a sustentabilidade fiscal do país e aprisionando a população em um ciclo contínuo de atraso social e econômico.
Da Redação CSFM






