A parte branca da casca, conhecida como albedo, é especialmente rica em pectina.
A casca do maracujá, que normalmente vai para o lixo depois que a polpa é retirada, pode ser aproveitada no preparo do suco e aumentar o consumo de fibras na alimentação. A parte branca da casca, conhecida como albedo, é especialmente rica em pectina, uma fibra solúvel que absorve água e forma uma espécie de gel no sistema digestivo.
Entre os possíveis benefícios está o aumento da sensação de saciedade. A pectina pode retardar o esvaziamento do estômago e a absorção de carboidratos, contribuindo para uma resposta mais gradual da glicose após as refeições. Estudos clínicos com farinha da casca do maracujá também encontraram redução da glicemia em pessoas com diabetes tipo 2, mas esse resultado não significa que a casca substitua medicamentos ou tratamento médico.
A fibra presente na casca também pode contribuir para o funcionamento intestinal, principalmente quando o consumo de fibras e água é adequado. Além disso, pesquisas já investigaram a relação entre o consumo da farinha da casca e a redução do colesterol. Em um estudo clínico com mulheres que apresentavam colesterol elevado, o consumo da farinha durante 60 dias esteve associado à redução do colesterol total e do LDL, conhecido como colesterol ruim.
A casca também contém nutrientes como niacina, ferro, cálcio e fósforo, além de apresentar concentração de fibras superior à encontrada na polpa. Por isso, seu aproveitamento pode melhorar o valor nutricional da bebida e, ao mesmo tempo, reduzir o desperdício de alimentos.
Para preparar o suco com a casca, o primeiro cuidado é escolher maracujás íntegros e higienizá-los corretamente. Depois de lavar bem os frutos, a casca pode ser utilizada junto com a polpa no liquidificador, acrescentando água conforme a consistência desejada. A mistura deve ser batida e, se necessário, coada. Para preservar o maior número possível de fibras, uma alternativa é consumir a bebida sem coar, desde que a textura seja agradável.
Uma opção simples é lavar bem dois maracujás, cortar os frutos, retirar a polpa e colocar no liquidificador junto com a parte branca da casca previamente higienizada e água. Depois, bater por pouco tempo e ajustar a quantidade de água. Se houver necessidade de adoçar, é preferível evitar o excesso de açúcar, especialmente porque a adição de açúcar aumenta a quantidade de carboidratos e calorias da bebida.
É importante, porém, não transformar a casca do maracujá em um tratamento caseiro para diabetes, colesterol ou emagrecimento. Os estudos que encontraram efeitos sobre glicemia e colesterol foram realizados principalmente com farinha da casca, em quantidades específicas e durante períodos determinados, e não simplesmente com qualquer quantidade de casca batida no suco. O próprio Ministério da Saúde ressalta que ainda existem limitações nas evidências disponíveis sobre esses efeitos em humanos.
Outro cuidado importante é a higienização. Como a casca fica exposta durante o cultivo, transporte e comercialização, ela deve ser muito bem lavada antes do consumo. Também é recomendável evitar frutos deteriorados, mofados ou com sinais de contaminação.
O aproveitamento da casca é uma forma de reduzir o desperdício e acrescentar fibras à alimentação. O principal destaque nutricional está justamente na pectina, mas seus benefícios devem ser entendidos como parte de uma alimentação equilibrada, e não como substitutos de medicamentos ou orientações de profissionais de saúde.
Da Redação CSFM






