Dados do Departamento do Trabalho mostram avanço de 7,1% em 12 meses, pressionado por bens de capital e produtos de consumo
Os preços dos produtos importados pelos Estados Unidos tiveram uma alta inesperada em junho, aumentando a pressão sobre a inflação do país. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (17) pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA, os preços de importação subiram 0,3% no mês passado, contrariando a expectativa de queda dos economistas.
O resultado veio após uma elevação de 1,7% em maio, dado revisado para baixo pelo governo americano. Analistas consultados pela agência Reuters esperavam uma redução de 0,7% nos preços de importados em junho.
No acumulado de 12 meses até junho, os preços dos produtos importados avançaram 7,1%, o maior aumento anual desde agosto de 2022. A alta foi impulsionada principalmente pelo aumento nos custos de bens de capital e produtos destinados ao consumo, que compensaram as quedas observadas nos preços de alimentos e energia.
Entre os setores analisados, os preços dos bens de capital importados cresceram 0,4%, influenciados pela maior demanda por equipamentos de tecnologia, especialmente em meio aos investimentos ligados à inteligência artificial. Já os produtos de consumo, com exceção de veículos, tiveram alta de 0,3%.
Por outro lado, os preços dos combustíveis importados recuaram 0,4% em junho, depois de uma forte alta de 12,6% em maio. Mesmo com a queda mensal, os valores acumulam aumento de 44,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Os preços dos alimentos importados também registraram redução de 0,2%.
O avanço dos preços de importação ocorreu em um cenário diferente dos indicadores internos de inflação, que registraram recuos em junho. A redução nos custos de energia havia contribuído para aliviar os índices ao consumidor e ao produtor, mas a instabilidade no Oriente Médio voltou a gerar preocupação sobre o comportamento do petróleo após o fim de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.
O aumento dos preços importados é acompanhado pelo mercado financeiro porque pode influenciar as decisões do Federal Reserve, o banco central americano, sobre a política de juros. A autoridade monetária monitora sinais de pressão inflacionária para definir os próximos passos em relação às taxas de interesse.
Redação: Vale FM






