Pesquisa com mais de 7 mil procedimentos indica alta incidência de dor moderada a severa; Ministério da Saúde afirma que manual está em revisão.
Um estudo publicado no International Journal of Gynecology & Obstetrics aponta que a intensidade da dor na inserção do DIU (dispositivo intrauterino) pode ser significativamente maior do que a estimada nas diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS).
A pesquisa analisou 7.259 inserções realizadas entre 2022 e 2024 em um centro de referência em Campinas (SP). Os resultados mostram que 81% dos procedimentos foram classificados com dor moderada a severa, sendo 54% com dor severa e 28% com dor moderada. A mediana registrada na escala de dor foi de sete, em uma variação de zero a dez.
Segundo o estudo, apenas uma pequena parcela das pacientes — cerca de 6% — recebeu algum tipo de medicação analgésica antes do procedimento, geralmente anti-inflamatórios ou antiespasmódicos.
Os dados contrastam com o Manual Técnico do Ministério da Saúde, atualizado em 2018, que indica que menos de 5% das mulheres relatariam dor moderada ou intensa durante a inserção do método, o que representa uma diferença de aproximadamente 16 vezes em relação ao observado na pesquisa.
O trabalho também destaca que o uso do DIU hormonal, com aplicador de maior diâmetro, pode estar associado a diferenças na percepção de dor, além de outros fatores clínicos e individuais.
Em nota, o Ministério da Saúde informou que está em processo de revisão e atualização das diretrizes técnicas relacionadas ao DIU, com o objetivo de incorporar novas evidências científicas e atualizar as orientações aos profissionais da rede pública.
O estudo ainda cita que a Organização Mundial da Saúde recomenda a oferta de medicação para controle de dor durante o procedimento, enquanto diretrizes internacionais mais recentes reforçam a necessidade de considerar a dor relatada pelas pacientes na prática clínica.
No Brasil, o DIU segue como um dos métodos contraceptivos ofertados pelo SUS, embora o acesso ainda seja limitado em parte das unidades básicas de saúde.
Da redação






