Ministro diz que dados extraídos de celulares pela Polícia Federal só chegaram ao STF após mudança na condução do processo
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, declarou nesta sexta-feira (6) que não teve acesso ao conteúdo retirado dos celulares do banqueiro Daniel Vorcaro enquanto foi responsável pela relatoria do chamado Caso Master na Corte.
Segundo comunicado divulgado pelo gabinete do magistrado, o material obtido pela Polícia Federal ainda não havia sido encaminhado ao Supremo até o momento em que ele deixou a condução do processo. O ministro afirmou que sua última decisão no caso foi justamente determinar que os dados apreendidos fossem enviados ao tribunal.
De acordo com a nota, até o dia 12 de fevereiro de 2026 os conteúdos retirados dos aparelhos celulares não tinham chegado ao STF. A ordem para que a Polícia Federal remetesse esse material à Corte havia sido assinada anteriormente, em 12 de janeiro.
As informações extraídas dos celulares acabaram contribuindo para o avanço das investigações e motivaram a terceira fase da Operação Compliance Zero. A ação resultou na prisão preventiva de Vorcaro e de outros três investigados.
Conforme apuração da Polícia Federal, as mensagens apontariam indícios de tentativas de interferência nas investigações. Entre os pontos levantados estão suspeitas de que os investigados teriam formado um grupo para acessar dados sigilosos e pressionar jornalistas e adversários.
Os investigadores também identificaram possíveis acessos indevidos a sistemas restritos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como a Interpol.
Reportagem publicada pelo jornal O Globo revelou ainda mensagens que indicariam contato entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes pouco antes de uma operação policial que resultou na primeira prisão do empresário no ano passado.
Toffoli deixou a relatoria do caso em fevereiro, após decisão anunciada em nota assinada pelos ministros do Supremo. A mudança ocorreu depois de uma reunião interna que discutiu a condução do processo, em meio a críticas e questionamentos sobre a investigação.
Durante o período em que esteve à frente do caso, algumas decisões do ministro geraram repercussão. Entre elas, a determinação de sigilo máximo sobre o processo e a ordem para que o material apreendido pela Polícia Federal fosse lacrado e encaminhado diretamente ao Supremo, o que provocou reação dentro da corporação.
Posteriormente, o ministro voltou atrás em parte da decisão e autorizou que a Polícia Federal tivesse acesso aos documentos para análise pericial, embora tenha designado agentes para acompanhar o procedimento.
Mesmo após deixar a relatoria, Toffoli não se declarou impedido de participar do julgamento de questões relacionadas ao processo. O novo responsável pelo caso passou a ser o ministro André Mendonça, que integra a Segunda Turma do STF e conduzirá as próximas etapas da investigação.
Da redação: Vale FM







