Aumento expressivo de casos e mortes eleva alerta sanitário; transmissão oral por alimentos segue sob investigação
Em Ananindeua, na região metropolitana de Belém (PA), as autoridades de saúde pública estão mobilizadas diante de um surto de Doença de Chagas que registra um crescimento significativo de casos e óbitos desde o final de 2025. O Ministério da Saúde passou a classificar a situação como surto após a confirmação de quatro mortes e aproximadamente 14 casos no mês de janeiro de 2026, número que já supera o total de óbitos dos últimos cinco anos no município.
O surto tem sido monitorado em conjunto pelo Ministério da Saúde, pela Secretaria Municipal de Saúde de Ananindeua, pela Secretaria de Saúde do Estado do Pará (Sespa), pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e por técnicos do Instituto Evandro Chagas. Investigações estão em andamento para identificar as causas e fatores que contribuíram para o aumento abrupto das ocorrências.
As autoridades observaram que o total de casos notificados em janeiro representa um crescimento de cerca de 30% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Em 2025, o município chegou a registrar 45 casos ao longo de todo o ano, com 26 desses confirmados em dezembro. Entre as mortes comunicadas neste início de 2026 está o falecimento de uma criança de 11 anos.
A principal linha de investigação aponta para a transmissão oral da doença, possivelmente associada ao consumo de alimentos contaminados com o parasita Trypanosoma cruzi, especialmente em produtos como açaí e outros itens alimentares sem controle adequado na manipulação. Essa forma de transmissão, pela ingestão de alimentos contaminados pelo parasita, tem sido destacada nos surtos recentes na região amazônica e considerada uma via epidemiológica importante.
As medidas de enfrentamento adotadas incluem reforço das ações de vigilância sanitária, fiscalização de estabelecimentos alimentícios, além de visitas de agentes de saúde às residências para orientar os moradores. Cerca de 200 agentes comunitários estão percorrendo bairros como o Cidade Nova, onde mais de 2 mil famílias já receberam orientações específicas.
De acordo com o Ministério da Saúde, o tratamento da Doença de Chagas é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e as equipes de vigilância continuam avaliando a situação epidemiológica para ampliar as ações de controle e assistência à população afetada.
A Doença de Chagas é uma infecção parasitária causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Embora tradicionalmente associada à picada de insetos triatomíneos (popularmente chamados de barbeiros), no norte do Brasil o padrão epidemiológico tem mostrado maior incidência de casos pela via oral, especialmente relacionados à ingestão de alimentos contaminados sem as devidas práticas de higiene e segurança alimentar.
Redação: Vale FM








