Levantamento global aponta aumento de conflitos e questiona abordagens de segurança adotadas pelo governo
O Brasil foi incluído, em 2025, entre os 10 países mais perigosos do mundo, segundo o índice global de conflitos divulgado pela organização não governamental Armed Conflict Event Location and Data Project (ACLED), que em português significa Dados de Localização e Eventos de Conflitos Armados. No ranking publicado nesta sexta-feira, o país aparece em 7ª posição, ao lado de nações marcadas por guerras e crises intensas, como Palestina, Síria e Mianmar (Veja aqui).
O levantamento leva em conta quatro indicadores principais: mortalidade decorrente de violência, risco para civis, extensão geográfica dos conflitos e número de grupos armados atuantes. Ao todo, foram registrados 9.903 eventos de violência no Brasil entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, destacando um cenário que combina disputa territorial de facções e confrontos com forças de segurança.
Especialistas que comentaram o relatório internacional observam que a atuação de grupos criminosos em grandes centros urbanos e periferias tem se intensificado. Em outubro de 2025, uma operação policial de grande porte no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho resultou em mais de 120 mortes, segundo relatos da imprensa. A estratégia ampliou a letalidade registrada no país e chama atenção para a forma como ações de segurança são conduzidas (Veja aqui). Jornal de Brasília
Apesar de o Brasil ter mantido alta posição no ranking global, dados oficiais de segurança pública mostram reduções em alguns indicadores nos últimos anos, como a queda no número absoluto de homicídios. Segundo o Atlas da Violência produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o total de homicídios em 2023 foi de 45.747, o menor em 11 anos, e representa uma taxa de 21,2 homicídios por 100 mil habitantes.
Mesmo com essas quedas, analistas ressaltam que a violência segue elevada em muitas regiões, especialmente no Norte e Nordeste, onde as taxas ficam acima da média nacional. Em cidades como Salvador (BA), Fortaleza (CE) e Rio de Janeiro (RJ), os índices de homicídios e de crimes violentos ainda figuram entre os mais altos do país e mantêm o Brasil em posições desfavoráveis em comparações internacionais de segurança (Veja aqui).
Organizações internacionais e pesquisadores apontam que a militarização da segurança pública, com forte presença de forças policiais e operações de grande impacto, pode ter efeitos contrários ao esperado a médio e longo prazo. Segundo a ACLED, essa abordagem pode fragmentar facções criminosas e ampliar a violência, além de aumentar o risco de ações letais por parte das próprias autoridades (Veja aqui).
Pesquisas de opinião indicam que crime e violência são temas de grande preocupação entre os brasileiros, com uma parcela expressiva da população declarando insegurança em relação à escalada de crimes. De acordo com levantamento recente, 40% dos brasileiros apontam o crime e a violência como uma das principais preocupações nacionais (Veja aqui).
O debate público sobre segurança no Brasil em 2025 continua intenso, com diferentes setores discutindo a eficácia de políticas adotadas pelo governo e as consequências de estratégias que priorizam ações policiais de impacto em detrimento de medidas de prevenção social e de foco comunitário.
Redação: Vale FM







