Setor aponta ameaça a milhares de empregos, enquanto especialistas indicam preparo insuficiente de novos motoristas
A resolução aprovada pelo Contran que elimina a obrigatoriedade das aulas em autoescola para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) reacendeu um debate amplo no país sobre segurança viária e desestruturação do setor de formação de condutores.
A nova regra permite estudar a teoria pela internet e realizar aulas práticas com instrutores autônomos credenciados, reduzindo o papel das autoescolas no processo.
O governo federal afirma que o objetivo é simplificar o procedimento e reduzir custos, estimando queda de até 80% no valor final do documento. No entanto, as críticas se ampliam entre especialistas, sindicatos e autoridades estaduais de trânsito, que consideram a mudança arriscada e tecnicamente frágil (Veja aqui).
A Federação Nacional das Autoescolas (FENEAUTO) divulgou que mais de 300 mil empregos podem ser impactados com a retirada da obrigatoriedade das aulas presenciais. Segundo a entidade, a estrutura atual das autoescolas atende milhões de candidatos por ano e emprega instrutores, atendentes, técnicos administrativos e equipes de suporte em todo o país (Veja aqui).
Um diretor de habilitação de um Detran estadual alertou que, com candidatos se preparando sozinhos ou com treinamento reduzido, o índice de reprovação pode alcançar até 95%, tornando o processo mais lento e custoso para quem tenta a primeira habilitação (Veja aqui).
Especialistas de segurança no trânsito também apontam risco real de aumento de motoristas despreparados nas ruas. Eles destacam que a resolução reduz a carga mínima de prática para apenas duas horas, número considerado insuficiente para formar um condutor capaz de lidar com situações reais de tráfego, como condução defensiva, reação a emergências e circulação em vias de maior fluxo (Veja aqui).
Outro ponto crítico envolve a fiscalização dos instrutores autônomos. Representantes do setor afirmam que a atuação descentralizada pode facilitar a atuação de profissionais sem preparo adequado, dificultando o controle de qualidade e abrindo espaço para irregularidades, sobretudo em regiões que já enfrentam déficit de fiscalização.
Especialistas ainda destacam que o modelo brasileiro, até a mudança, baseava-se em formação estruturada e acompanhamento padronizado. Abrir mão disso pode ampliar disparidades regionais e comprometer o monitoramento da qualidade de ensino, afetando diretamente a segurança no trânsito.
A resolução aguarda publicação no Diário Oficial para entrar em vigor, enquanto entidades e técnicos pressionam por revisão ou ajustes na proposta.
Redação: Vale FM




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