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03/09/2025 14:14

O ato da doação tem o poder de transformar o destino de uma pessoa que muitas vezes pode estar condenada à morte

A doação de órgãos representa um gesto silencioso, porém impactante, capaz de salvar inúmeras vidas e renovar esperanças. Nos últimos dez anos, os avanços na medicina transplantológica, aliados à crescente conscientização, têm ampliado o alcance dessa prática, ainda que desafios persistam.

Celebridades que evidenciam a importância da doação

No Brasil, um dos casos mais recentes e emblemáticos é o do apresentador Fausto Silva, conhecido como Faustão. Em 2023, ele passou por um transplante cardíaco e, em 2024, por um renal. Neste ano, enfrentou um novo transplante de fígado, combinado com retransplante de rim, ambos provenientes de um único doador. Seu caso ilumina a complexidade e importância desse procedimento para pacientes com múltiplas falhas orgânicas.

Fora do Brasil, dois casos têm se destacado:

- Hélène Campbell, do Canadá- Ela tornou-se um símbolo da causa após sobreviver a um duplo transplante de pulmão. Sua história inspirou milhares a se tornarem doadores.
- Ben Hardwick, no Reino Unido- Ele foi o primeiro paciente pediátrico a receber um transplante de fígado com repercussão nacional. Embora tenha falecido posteriormente, sua trajetória motivou a criação de um fundo beneficente que beneficiou muitas outras crianças.



Órgãos mais doados no mundo e no Brasil

Globalmente, os rins lideram as estatísticas de transplantes devido à prevalência de insuficiência renal crônica. Outros órgãos frequentemente transplantados incluem fígado, coração, pulmões, pâncreas e intestino delgado.

No Brasil, segundo dados internacionais e nacionais, a taxa de doadores falecidos é de cerca de 18,1 por milhão de habitantes. Apenas em 2024, foram registrados 4.088 doadores falecidos, equivalente a aproximadamente 17 por milhão. Esses transplantes incluíram 5.510 rins (25,32 por milhão), 2.291 fígados (10,53 por milhão), além de pâncreas (141), corações (440) e pulmões (93).

Tendências e impactos da pandemia (2019–2022)

No período de 2019 a 2022, o total de notificações de morte encefálica saltou de 11.395 para 13.195 (+16%), mas o número de doadores efetivos caiu de 3.211 para 2.905 (–9,5%), evidenciando queda na "produtividade" do sistema. Já a proporção de conversão de notificações em doações caiu de 28,2% em 2019 para 22,1% em 2022.

Em 2019, o Brasil registrou 6.302 transplantes. Em 2020 caiu para 4.826 e em 2021, chegou a apenas 4.777. Em 2022, houve uma recuperação parcial, mas ainda abaixo da demanda. Já a recusa familiar chegou a 46% em 2022, a mais alta em oito anos.

Avanços científicos nos últimos dez anos

A ciência dos transplantes avançou significativamente. Abaixo, acompanhe as conquistas na área em cada ano correspondente:

- Em 2012 ocorreu o primeiro transplante facial completo na Europa.
- Em 2014 realizavam-se os primeiros transplantes uterinos com nascimento bem-sucedido e até penianos.
- 2019 marcou o primeiro uso de drone para transporte de rim para transplante nos EUA.
- Em 2021 um paciente islandês recebeu o primeiro transplante bilateral de braços e ombros.
- Em 2022 foi realizado o primeiro transplante de coração de porco para humano nos EUA — um marco em xenotransplante, ainda sob contínua observação.
- No fechamento desta década, em 2025, reportou-se o primeiro transplante de bexiga humana.

A doação de órgãos permanece um ato de extrema relevância — uma ponte entre vida e morte. Casos emblemáticos como o de Faustão, Hélène Campbell e Ben Hardwick ilustram a importância destas ações para nós seres humanos, enquanto os números brasileiros — apesar das dificuldades trazidas pela pandemia — mostram que o país segue como protagonista mundial em transplantes. Com avanços médicos acelerados e maior conscientização pública, cada gesto de doação carrega em si o potencial de transformar o destino de uma pessoa que muitas vezes pode estar condenada à morte

 

Da Redação CSFM







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