Notícias

01/09/2025 14:45

Bancários, servidores públicos e profissionais da saúde estão entre os mais afetados

Os afastamentos de trabalhadores baianos por transtornos mentais cresceram mais de 200% entre 2014 e 2024, segundo dados do SmartLab BR, plataforma do Ministério Público do Trabalho (MPT) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), Ministério da Saúde e Ministério do Trabalho e Emprego.

Em 2014, foram 5.020 benefícios concedidos por problemas de saúde mental. Em 2024, o número saltou para 15.189 registros, o maior da série histórica.

Picos durante e após a pandemia
Dois momentos chamam a atenção: 2020, ano marcado pela pandemia de covid-19, com 8.443 afastamentos, e 2023, com 8.898 casos. Para a procuradora do trabalho Carolina Novais, a pandemia, aliada ao crescimento do teletrabalho e da plataformização, ampliou os casos de adoecimento.

“De 2022 a 2024 houve uma escalada expressiva. As novas formas de organização do trabalho trouxeram benefícios, mas também criaram pressões adicionais”, afirmou.

Principais transtornos e setores impactados
O levantamento aponta que:

Transtornos de ansiedade representam 33,2% dos afastamentos;
Reações ao estresse grave e transtornos de adaptação, 27,9%;
Episódios depressivos, 20,1%.

Os bancários são os mais atingidos: em 2024, 26% dos casos ocorreram em bancos múltiplos, além de registros em bancos comerciais (3,2%) e caixas econômicas (3%).

A psiquiatra Simone Paes, do Idomed, aponta que as metas cada vez mais elevadas intensificam o sofrimento. O presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Augusto Vasconcelos, acrescenta que a redução de postos de trabalho e a ameaça da substituição por tecnologia agravam a pressão sobre a categoria.

Outros setores também aparecem entre os mais afetados: administração pública (14,1%) e área hospitalar (10,1%).

Impacto social e novas regras
Especialistas lembram que fatores como solidão, redes sociais, instabilidade econômica e violência também contribuem para o quadro. Além disso, o sistema Atestmed, que permite o envio remoto de atestados médicos, facilitou o acesso aos benefícios.

O psiquiatra Lucas Alves, da Escola Bahiana de Medicina, observa que a pandemia reduziu o estigma em relação à busca por apoio psicológico.

Entre 2020 e 2025, o MPT instaurou 50 inquéritos civis e nove ações judiciais sobre saúde mental no trabalho. A partir de 2026, a NR-1 deve obrigar empresas a implementar medidas preventivas específicas para o tema.

“Ambientes de assédio moral e jornadas excessivas, comuns no teletrabalho, são gatilhos para o adoecimento”, alerta a procuradora Carolina Novais.

Tratamento e prevenção
A médica do trabalho Ana Paula Teixeira destaca que a detecção precoce durante exames ocupacionais pode evitar o agravamento dos casos. Em situações graves, o tratamento inclui medicação, mas em muitos casos a psicoterapia e mudanças de hábitos já trazem bons resultados.

“É essencial que as empresas revejam seus fatores de risco e ofereçam acolhimento no retorno após afastamentos. O respeito ao trabalhador é parte da prevenção”, reforça.







RedeRBR
Av. Governador Lomanto Júnior - Edifício União Empresarial Center, nº 23 - Centro - Amargosa/BA.
Tel.: (75) 3634-3239 (Whatsapp) - A Rádio que você ouve, a rádio que você FAZ!
© 2010 - Rádio Vale FM - Todos os direitos reservados.