A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) foi presa nesta terça-feira (29), em Roma, na Itália, após quase dois meses foragida da Justiça brasileira. Condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023, Zambelli foi localizada após uma série de monitoramentos e trocas de endereço que dificultaram a sua localização inicial.
A prisão ocorreu às 16h40 (horário de Brasília), no bairro Aurelio, em Roma, resultado de uma ação conjunta entre a Polícia Federal (PF), a Interpol e as autoridades italianas. De acordo com informações da PF, o trabalho de investigação teve como base visitas de parentes e brasileiros ao local onde Zambelli estava escondida, além de registros de viagens para regiões como Toscana e Veneto. A movimentação foi monitorada, e a troca frequente de endereços não impediu que os agentes descobrissem seu paradeiro.
A prisão foi comunicada ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por meio do adido da PF em Roma, Umberto Ramos Rodrigues. Segundo a Embaixada do Brasil na Itália, a localização da deputada também contou com a colaboração do deputado italiano Angelo Bonelli, que teria repassado o endereço à polícia local informação que, no entanto, não foi oficialmente confirmada pela PF.
Zambelli chegou à Itália no dia 5 de junho e passou a ser considerada foragida após sua condenação ser decretada pelo STF. Com a prisão, inicia-se agora o processo de extradição, que será analisado pela Justiça italiana. O pedido foi enviado pelo governo brasileiro em 12 de junho ao Ministério do Interior da Itália, que deve encaminhá-lo a um tribunal responsável por decidir sobre o cumprimento da pena em território nacional. O prazo para essa análise não está definido.
Enquanto aguarda a decisão, a deputada segue presa em território italiano. A justiça local tem até 48 horas para determinar se ela permanecerá detida, será liberada com medidas cautelares ou se será dado andamento imediato à extradição.
Diante da prisão, o Partido Liberal (PL) iniciou uma mobilização em defesa de Zambelli. O líder da bancada na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), encaminhou ofícios a autoridades italianas solicitando asilo político para a parlamentar. Segundo o partido, o objetivo é apresentar Zambelli como vítima de perseguição judicial. O documento menciona ainda o caso do blogueiro Oswaldo Eustáquio, que teve sua extradição negada pela Espanha, alegando motivação política no pedido brasileiro.
O partido também pretende entregar uma carta à Procuradoria-Geral e ao Ministério da Justiça da Itália, reforçando o pedido de proteção à deputada e questionando a rapidez do julgamento no Brasil. A entrega será feita pelo deputado Coronel Meira (PL-PE), que está em viagem a Portugal.
Zambelli continua licenciada do mandato parlamentar até outubro, mas mantém o cargo de deputada federal. Com a prisão, seu caso se soma a uma lista de parlamentares brasileiros que já foram detidos ao longo dos últimos anos.
Redação: Vale FM








