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08/07/2025 17:30

A pesquisa, conduzida com mais de mil estudantes, revelou que determinados alimentos estão associados a sonhos mais agradáveis, enquanto outros contribuem para pesadelos.

Estudo publicado no dia 30 de junho na revista Frontiers in Psychology mostra que a alimentação nas horas que antecedem o sono pode afetar não apenas a qualidade do descanso, mas também a natureza emocional dos sonhos. A pesquisa, conduzida com mais de mil estudantes, revelou que determinados alimentos estão associados a sonhos mais agradáveis, enquanto outros contribuem para experiências oníricas negativas, como pesadelos ou sonhos de conteúdo bizarro.

Cerca de 40% dos participantes relataram perceber influência direta da alimentação em seus sonhos. Entre os alimentos mais associados a sonhos negativos estão:

- Doces e sobremesas (31% relataram sonhos perturbadores e 38% sonhos bizarros),
- Laticínios (22% relacionados a sonhos perturbadores e 27% a sonhos bizarros),
- Carnes (16% associados a sonhos perturbadores e 8% a sonhos bizarros).

Os dados também indicaram que alimentos picantes geraram pesadelos em aproximadamente 19,5% dos casos. Já o consumo de laticínios foi responsável por 15,7% dos relatos de sonhos ruins. Em contrapartida, alimentos considerados leves e saudáveis estiveram ligados a experiências mais positivas de sono. Entre os entrevistados, 18% relataram melhora na qualidade do sono após consumir frutas, 13,4% após ingerir chá de ervas e 12% após consumir vegetais.

A análise estatística do estudo apontou ainda que hábitos alimentares específicos contribuem para uma piora do sono e maior propensão a pesadelos, especialmente em pessoas com restrições alimentares. Entre os fatores identificados estão:

- Consumo de laticínios por indivíduos com intolerância à lactose,
- Alimentação muito próxima ao horário de dormir,
- Ausência de atenção aos sinais internos de saciedade.


Mulher observa conteúdo da geladeira. Imagem: istock

A presença de sintomas gastrointestinais decorrentes de intolerâncias alimentares, como gases e inchaço abdominal, tende a fragmentar o sono e aumentar os microdespertares, interferindo principalmente no sono REM — fase em que os sonhos são mais vívidos e emocionalmente carregados. A interrupção recorrente desta fase pode intensificar conteúdos negativos nos sonhos.

Por outro lado, padrões alimentares mais saudáveis parecem exercer efeito protetor sobre a qualidade do sono e o conteúdo dos sonhos. A ingestão de frutas, vegetais, fibras e líquidos calmantes como chás infusionados promove maior continuidade do sono e reduz o impacto de estressores fisiológicos durante a noite. Estudos anteriores também já haviam identificado que alimentos ricos em melatonina ou triptofano, como cerejas-tártaro, kiwi, leite proteico e tâmaras, favorecem o início e a manutenção do sono, embora ainda faltem evidências conclusivas sobre sua influência direta no conteúdo dos sonhos.

Os autores do estudo alertam que, embora a dieta tenha influência relevante, outros fatores também devem ser considerados como causas de pesadelos. Medicamentos, consumo de álcool, uso de substâncias psicoativas ou a abstinência delas — especialmente do tetrahidrocanabinol (THC) — também são reconhecidos como gatilhos para distúrbios do sono, podendo induzir sonhos vívidos ou perturbadores por semanas após a suspensão.

A pesquisa apresenta limitações metodológicas, como o uso de relatos subjetivos e a restrição da amostra a jovens universitários, o que dificulta a generalização dos dados para a população em geral. No entanto, os autores defendem que o padrão alimentar pode ser uma ferramenta clínica adicional no manejo não medicamentoso de distúrbios relacionados ao sono e aos sonhos. Novos estudos controlados com amostras diversificadas e monitoramento fisiológico do sono são necessários para confirmar a relação causal entre dieta e conteúdo onírico.

 

Da Redação CSFM







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